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Vírus de Hardware

Este texto tem como objetivo debater e explicar o conceito de danificar hardware por software, especificamente por vírus. Também trás outros exemplos de softwares que supostamente danificariam hardware.

1. Definição de vírus

"Vírus de computador" é um conjunto de instruções assim como qualquer outro software. Ou seja, do ponto de vista da máquina (hardware), não há diferença entre o código do Bloco de Notas, do Microsoft Paint ou de um vírus.

A definição de vírus é bastante subjetiva. Se afirmarmos que qualquer software que possa prejudicar o funcionamento do computador ou danificar o sistema operacional e/ou seus aplicativos é vírus, estaríamos incluindo nesta lista um arquivo de lote (*.BAT) do MS-DOS que pode usar comandos disponíveis no sistema operacional para prejudicar ou impedir o funcionamento do sistema.

Sem separar o que é trojan, worm e vírus, geralmente entende-se que vírus são softwares desenvolvidos apenas com o intuito de causar algum prejuízo ao usuário ou ao sistema operacional e/ou seus aplicativos e com capacidade de auto reprodução.

2. Vírus de Hardware

A grande questão: existe algum vírus que afete o hardware da máquina?
Dependendo do ponto de vista, o W95.CIH (ou Chernobyl), pode ser considerado o único vírus existente até o momento que afeta o hardware da máquina.

3. W95.CIH (Chernobyl)

Segundo informações da Symantec, este vírus só afeta computadores rodando Windows 9x (95/95B/98/98SE/ME). Além de se espalhar infectando outros arquivos existentes, esse vírus tenta danificar o BIOS (Basic Input/Output System). O BIOS é um pequeno sistema que fica gravado em um chip na placa-mãe. É o primeiro sistema a iniciar quando você liga o computador. É ele que, entre outras coisas, faz a chamada para iniciar o sistema operacional. Sem BIOS, o computador se quer liga. Por ser essencial ao funcionamento da placa-mãe, muitas pessoas consideram que danificando o BIOS você estará danificando a placa-mãse.
Porém o BIOS é um software. Se um vírus danificar o BIOS, estará danificando apenas o software da placa-mãe, não ela em si. E é por isso que eu digo que o W95.CIH (Chernobyl) não danifica o hardware, pois só há danos em nível lógico (bits, 0 e 1), e não no hardware.
Além disso, um BIOS danificado pode ser facilmente recuperado, conforme explicado em outro texto.

Atualização em 27/05/2005: O "Sítio do B. Piropo", possui um artigo que fala sobre um hoax (um boato da Internet) que fala de um vírus que "queima" placas-mãe da ECS graças a um bug destas placas. O texto (ou "escrito", como o B. Piropo gosta de chamar) complementa este artigo do Abacate Doce. Vale à pena ler: http://www.bpiropo.com.br/rdi20021021.htm

4. Danificar Hardware via software

Tudo está limitado àquilo que o hardware permite que o software faça. Por exemplo, nas placas-mãe modernas é possível alterar a freqüência em que o processador trabalha e voltagem por software, através do programa de configuração do BIOS (chamado também de "setup do BIOS"). Se for usada uma voltagem alta, o processador pode superaquecer. Se a placa-mãe não tiver nenhum sistema de proteção, esse processador aqueceria até queimar.

Poderíamos também forçar um monitor a trabalhar a uma freqüência acima da suportada, mas a maioria dos monitores modernos possuem proteção quanto a isso. Se na resolução de 800x600 for suportado no máximo 85hz e forçarmos para 120hz, o sistema de proteção possivelmente exibiria uma mensagem informando que o monitor estaria fora de freqüência de operação, desligando-o na seqüência.

Observe que nos exemplos citados, o software serve apenas para dizer como o hardware irá funcionar, porque o hardware permite que determinados parâmetros de configuração sejam alterados pelo software. Quem acaba se danificando é o próprio hardware. O software não envia um comando "damage cpu -now" e a CPU se divide em duas. O software diz como o hardware deve operar, e o hardware foi projetado para receber aquele tipo de instrução.

Portanto, em nível lógico (0 e 1), não há meios de executar algo que danifique o hardware. A única maneira, seria alterar algum parâmetro que o hardware permita e este parâmetro, por acaso, acabar causando algum dano ou efeito colateral devido ao efeito do hardware sobre ele mesmo.

5. Mandrake 9.2 e drivers LG "queimados"

Atualização em 27/05/2005 - Contribuição enviada por Flavio J. M. Lopes:
"Apenas um pequeno reparo: Na matéria sobre vírus de hardware, na referência ao episódio Mandrake 9.2 X gravadores LG, o bug estava no firmware dos gravadores e não no Mandrake. Esclarecendo, a LG utilizou-se de um dos serviços da especificação ATAPI, que nunca fora utilizado por ninguém, e que se destinava a outra finalidade, com modificações para gravar o firmware. Assim, quando a Mandrake decidiu implementar o serviço conforme as regras, o resultado era o apagamento do firmware dos gravadores.
E de fato, a LG soltou novos firmwares para os modelos que tinha o bug.
"

Freqüentemente você ouvirá pessoas usarem esse bug como argumento para afirmarem que software danifica hardware. Porém, esse caso é igual ao caso do vírus W95.CIH, só que ao invés de danificar o BIOS da placa-mãe, danifica o firmware do drive. Firmware nada mais é do que o software embutido no drive, que o controla o funcionamento do mesmo. O próprio BIOS da placa-mãe é um firmware.
Então, conforme explicado anteriormente, do ponto de vista do hardware, nenhum problema ocorreu, apenas o software que o controla foi danificado - e pode ser recuperado como se nada tivesse acontecido.

6. Conclusão

A computação é uma ciência complexa e muito mais avançada do que "enfiar placas nos slots", configurar o BIOS, formatar o HD e instalar o Windows. Por trás disso tudo, há uma lógica, um porquê, um modo de funcionamento mais profundo e preciso que não se pode ignorar. Por ignorar este fato, muitos acabam acreditando em lendas sem fundamento ou adotam idéias ultrapassadas, como "AMD é ruim porque esta demais", "HD lotado deixa o computador lento", "instalar muitos jogos faz o micro dar pau" e "vírus danifica hardware".
"Vírus de hardware" é um bom exemplo de algo que muitos acreditam, mas que não faz sentido se for analisado com olhar técnico e crítico, conforme explicado neste texto.