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Vírus de Hardware
Texto escrito por Daniel JS, em 15/01/2005.
Publicado originalmente em www.abacatedoce.net.
Agradecimentos aos leitores do Abacate Doce que contribuiram com
informações e correções.
Última atualização em 27/05/2005.
Este texto tem como objetivo debater e explicar o conceito de danificar hardware por software, especificamente por vírus. Também trás outros exemplos de softwares que supostamente danificariam hardware.
1. Definição de vírus
"Vírus de
computador" é um conjunto de instruções assim
como qualquer outro software. Ou seja, do ponto de vista da
máquina (hardware), não há diferença entre o
código do Bloco de Notas, do Microsoft Paint ou de um
vírus.
A definição de vírus é bastante subjetiva.
Se afirmarmos que qualquer software que possa prejudicar o funcionamento
do computador ou danificar o sistema operacional e/ou seus aplicativos
é vírus, estaríamos incluindo nesta lista um
arquivo de lote (*.BAT) do MS-DOS que pode usar comandos
disponíveis no sistema operacional para prejudicar ou impedir o
funcionamento do sistema.
Sem separar o que é trojan, worm e vírus, geralmente
entende-se que vírus são softwares desenvolvidos apenas
com o intuito de causar algum prejuízo ao usuário ou ao
sistema operacional e/ou seus aplicativos e com capacidade de auto
reprodução.
2. Vírus de Hardware
A
grande questão: existe algum vírus que afete o hardware da
máquina?
Dependendo do ponto de vista, o W95.CIH (ou Chernobyl), pode ser
considerado o único vírus existente até o momento
que afeta o hardware da máquina.
3. W95.CIH (Chernobyl)
Segundo informações da Symantec, este
vírus só afeta computadores rodando Windows 9x
(95/95B/98/98SE/ME). Além de se espalhar infectando outros
arquivos existentes, esse vírus tenta danificar o BIOS (Basic
Input/Output System). O BIOS é um pequeno sistema que fica
gravado em um chip na placa-mãe. É o primeiro sistema a
iniciar quando você liga o computador. É ele que, entre
outras coisas, faz a chamada para iniciar o sistema operacional. Sem
BIOS, o computador se quer liga. Por ser essencial ao funcionamento da
placa-mãe, muitas pessoas consideram que danificando o BIOS
você estará danificando a placa-mãse.
Porém o BIOS é um software. Se um vírus danificar o
BIOS, estará danificando apenas o software da
placa-mãe, não ela em si. E é por isso que eu digo
que o W95.CIH (Chernobyl) não danifica o
hardware, pois só há danos em nível lógico
(bits, 0 e 1), e não no hardware.
Além disso, um BIOS
danificado pode ser facilmente recuperado, conforme explicado em outro
texto.
Atualização em 27/05/2005: O "Sítio do B.
Piropo", possui um artigo que fala sobre um hoax (um boato da Internet) que fala de um vírus que
"queima" placas-mãe da ECS graças a um bug
destas placas. O texto (ou "escrito", como o B. Piropo gosta
de chamar) complementa este artigo do Abacate Doce. Vale à pena
ler: http://www.bpiropo.com.br/rdi20021021.htm
4. Danificar Hardware via software
Tudo está
limitado àquilo que o hardware permite que o software
faça. Por exemplo, nas placas-mãe modernas é
possível alterar a freqüência em que o processador
trabalha e voltagem por software, através do programa de
configuração do BIOS (chamado também de "setup
do BIOS"). Se for usada uma voltagem alta, o processador pode
superaquecer. Se a placa-mãe não tiver nenhum sistema de
proteção, esse processador aqueceria até queimar.
Poderíamos também forçar um monitor a trabalhar a
uma freqüência acima da suportada, mas a maioria dos
monitores modernos possuem proteção quanto a isso. Se na
resolução de 800x600 for suportado no máximo 85hz e
forçarmos para 120hz, o sistema de proteção
possivelmente exibiria uma mensagem informando que o monitor estaria
fora de freqüência de operação, desligando-o na
seqüência.
Observe que nos exemplos citados, o software serve apenas para dizer como o hardware irá funcionar, porque o hardware permite que
determinados parâmetros de configuração sejam
alterados pelo software. Quem acaba se danificando é o
próprio hardware. O software não envia um comando "damage
cpu -now" e a CPU se divide em duas. O software diz como o hardware
deve operar, e o hardware foi projetado para receber aquele tipo de
instrução.
Portanto, em nível lógico (0 e 1), não há
meios de executar algo que danifique o hardware. A única maneira,
seria alterar algum parâmetro que o hardware permita e este
parâmetro, por acaso, acabar causando algum dano ou efeito
colateral devido ao efeito do hardware sobre ele mesmo.
5. Mandrake 9.2 e drivers LG "queimados"
Atualização
em 27/05/2005 - Contribuição enviada por Flavio J. M.
Lopes:
"Apenas um pequeno reparo: Na matéria sobre
vírus de hardware, na referência ao episódio
Mandrake 9.2 X gravadores LG, o bug estava no firmware dos gravadores e
não no Mandrake. Esclarecendo, a LG utilizou-se de um dos
serviços da especificação ATAPI, que nunca fora
utilizado por ninguém, e que se destinava a outra finalidade, com
modificações para gravar o firmware. Assim, quando a
Mandrake decidiu implementar o serviço conforme as regras, o
resultado era o apagamento do firmware dos gravadores.
E de fato, a LG soltou novos firmwares para os modelos que tinha o bug."
Freqüentemente
você ouvirá pessoas usarem esse bug como argumento para
afirmarem que software danifica hardware. Porém, esse caso
é igual ao caso do vírus W95.CIH, só que ao
invés de danificar o BIOS da placa-mãe, danifica o firmware do drive. Firmware nada mais é do que o software
embutido no drive, que o controla o funcionamento do mesmo. O
próprio BIOS da placa-mãe é um firmware.
Então, conforme explicado anteriormente, do ponto de vista do
hardware, nenhum problema ocorreu, apenas o software que o controla foi
danificado - e pode ser recuperado como se nada tivesse acontecido.
6. Conclusão
A computação é uma
ciência complexa e muito mais avançada do que "enfiar
placas nos slots", configurar o BIOS, formatar o HD e instalar o
Windows. Por trás disso tudo, há uma lógica, um
porquê, um modo de funcionamento mais profundo e preciso que
não se pode ignorar. Por ignorar este fato, muitos acabam
acreditando em lendas sem fundamento ou adotam idéias
ultrapassadas, como "AMD é ruim porque esta demais",
"HD lotado deixa o computador lento", "instalar muitos
jogos faz o micro dar pau" e "vírus danifica
hardware".
"Vírus de hardware" é um bom exemplo de algo que
muitos acreditam, mas que não faz sentido se for analisado com
olhar técnico e crítico, conforme explicado neste texto.