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Super aquecimento do processador
Texto escrito por Daniel JS, em 08/03/2005. Publicado originalmente em www.abacatedoce.net.
Desde a época dos primeiros processadores Athlon com núcelo Thunderbird, criou-se a idéia de que "AMD esquenta de mais". De fato, estes processadores e alguns de seus sucessores, apresentavam uma dissipação de calor acima do normal, o que exigia um bom sistema de resfriamento no gabinete e no processador.
Nos dias de hoje, os processadores dissipam uma grande quantidade de calor, independente de serem fabricados por Intel ou AMD. Os Pentium 4 de núcelo Prescott, têm sidos chamados por alguns de "preshot", em alusão à alta dissipação de calor e consumo de energia destes processadores. Por outro lado temos (ou tínhamos, visto que não estão mais sendo fabricados), os Athlons XP Mobile, processadores originalmente desenhados para notebooks, mas que são amplamente usados em micros de mesa por usuários avançados e overclockers, devido ao baixíssimo consumo de energia, baixa dissipação de calor e possibilidade de "overclocks" altíssimos. Porém a versão normal do Athlon XP e os novos Athlon 64 exigem um cuidado especial em se tratando de refrigeração do processador e do gabinete. Não é nada muito difícil de se fazer, basta saber como. Neste guia você encontrará dicas para garantir a boa refrigeração do processador e gabinete do seu computador, além de dicas para identificar problemas causados por temperatura excessiva do processador.
1. Identificando o
Problema
2. Meu processador está esquentando muito. E
agora?
3. Outras fontes de informação
Geralmente problemas de super aquecimento causam travamentos do computador em situações onde o processador é exigido intensamente, como jogos, por exemplo. Lentidão exagerada fora do normal e reboots aleartórios (o computador reinicia aleartóriamente) também são sintomas de problemas de super aquecimento.
Trata-se de um problema muito simples de identificar. Tudo o que você precisa é de um software de monitoramento de temperatura e um software que faça uso intenso do processador.
::: Para
monitoramento de temperatura, recomendo o Motherboard
Monitor, SpeedFan ou Asus Probe (se sua placa for da Asus). Você
também pode usar o Everest.
::: Para fazer uso intenso do processador, o melhor
software é o Prime95. Veja
um tutorial sobre o Prime95 aqui.
::: Clique aqui para ver imagens dos softwares de
monitoramento de temperatura.
Todos os softwares citados acima são gratuitos e de fácil utilização.
Passo 1: Com o Prime95 instalado, execute
o "Torture Test". Não precisa ser
necessariamente no modo "Blend", o "Small
FFTs" já é suficiente.
Passo 2: Com um dos softwares de monitoramento de
temperatura, observe até quando a temperatura pára de
aumentar. Pode ser que demore vários minutos para a temperatura
se estabilizar e parar de subir. Na maioria dos casos, 30 minutos
é tempo suficiente.
- Em geral, se a temperatura passar dos 65°, considere que seu
processador e/ou gabinete não estão com
refrigeração adequada;
- Se o micro reiniciar durante o teste ou o Prime95 travar antes de atingir os 65°, pode
ser que sua fonte não esteja agüentando a
configuração do seu computador. Observe com um dos
softwares de monitoramento de temperatura/voltagens se a linha de 5V,
12V ou 3,3V teve uma variação para mais ou para menos
superior a 5%. Por exemplo, se a linha de 12V atingiu 12,6v ou 11,4v,
possivelmente o problema do seu computador está relacionado
à fonte. Leia o Guia
Para Diagnosticar Problemas Com Fontes de Alimentação.
O problema também pode estar relacionado à memória.
Veja o Guia Para
Diagnosticar Problemas de Memória.
É possível também que o problema esteja de fato
relacionado à temperatura, caso o micro reinicie com temperatura
próxima aos 65° C (61°, por exemplo).
É importante
deixar claro que cada processador tem um limite e temperatura normal de
operação diferente. Por exemplo, é esperado que um
Pentium 4 com núcleo Prescott atinja uma temperatura muito maior
do que um Sempron 2200+. A regra geral é que o máximo
aceitável para processadores atuais (Athlon 64, Pentium 4,
Celeron D, Athlon XP, etc.) seja cerca de 65°C com carga
máxima (full load). Qualquer temperatura acima disso
pode significar redução da vida útil do processador
ou problemas como instabilidade e, em situações extremas,
danos permanentes no processador.
2. Meu processador está esquentando muito. E agora?
Passo 1: A primeira coisa a
fazer, é verificar se o cooler instalado é capaz de
refrigerar um processador como o seu. O único jeito de fazer
isso, é verificar o modelo do seu cooler e procurar no site do
fabricante ou na caixa informações a respeito. No caso de
processadores Athlon XP, é importante prestar muita
atenção ao core (núcleo) do seu
processador. Um Athlon XP 2100+ com núcleo Palomino tende a
esquentar muito mais do que um Athlon XP 2500+ com núcleo Barton.
Há dezenas de softwares para verificar qual o núcleo do
seu processador, entre eles o já indicado Everest (no item
"Placa Mãe", opção "CPUID").
Passo 2: Se o seu cooler é adequado para o seu
processador, certifique-se de que há pasta térmica
suficiente entre o núcleo do processador e a base do cooler.
Pasta térmica: É um substância para
melhorar o contato entre a base do cooler e o núcleo do
processador. Conduz calor melhor que o ar, por isso se devidamente
aplicada, irá cubir minúsculos espaços de ar entre
o núcleo do processador e a base do cooler. Muita gente
inexperiente "atola" o processador com pasta térmica, o
que é errado e pode até danificar o processador
espalhando calor para lugares mais frios do processador. Há
relatos de casos (lenda, talvez, mas bastante viável) onde havia
tanta pasta térmica que ela escorreu para os lados e danificou a
placa-mãe.
A quantidade de pasta térmica deve ser o suficiente para cubrir o
núcleo do processador e melhorar o contato com a base do cooler,
nada mais além disso. A Thermaltake, fabricante de coolers, fontes e outros
acessórios de alta qualidade, possui duas fotos muito boas
demonstrando a quantidade ideal de pasta térmica que deve ser
aplicada. Você pode ver estas imagens clicando
aqui.
Pro caso do link não abrir, temos cópias destas fotos
aqui: Foto
1 - Foto
2
Passo 3: Certificando-se que seu
processador está com cooler e pasta térmica adequada,
é preciso verificar a ventilação do gabinete, outro
item que acaba sendo deixado de lado pelos leigos. Um gabinete bem
refrigerado é essencial para manter o computador funcionando
plenamente, pois além do processador, outros componentes como
placas de vídeo, HDs modernos de 7200 rpm ou mais, gravadores de
CD/DVD e até a própria placa-mãe, tendem a
esquentar bastante. Muitos destes componentes já vêm de
fábrica com um sistema de refrigeração
próprio - como dissipador de calor no northbridge da
placa-mãe ou cooler sobre a GPU da placa de vídeo - mas o
desempenho destes sistemas de refrigeração depende muito
da temperatura interna do gabinete.
Confira abaixo algumas dicas para melhorar a ventilação do
gabinete e, conseqüentemente, baixar a temperatura interna dele:
a. Gabinete mini-torre nem pensar!
Gabinetes mini-torre (aqueles com 3 baias do tamanho de drivers de
CD/DVD), onde a fonte fica em cima do cooler do processador, possuem uma
refrigeração interna inadequada, devido ao tamanho e a
péssima localização da fonte. Este tipo de gabinete
pode ser usado para processadores que não esquentam muito (no
máximo Pentium III e Duron Spitfire). Acima disso, use sempre
gabinetes torre normal (aqueles com 4 baias do tamanho de drivers de
CD/DVD).
|
![]() |
Gabinete mini-torre |
Gabinete torre (marca Leadership) |
b. Coolers frontais inferiores
A instalação de um ou dois coolers frontais na frente do
gabinete, na parte de baixo, é extremamente recomendada,
especialmente quando se usa HDs de 7200 rpm ou superiores.
Preste atenção para o fluxo de ar, geralmente informado na
lateral dos coolers de gabinete. É recomendado que estes coolers
instalados na parte frontal inferior do gabinete soprem ar para
dentro do gabinete. Assim, o ar externo (mais frio que o ar interno do
gabinete) frio irá entrar no gabinete.
|
![]() |
Cooler frontal sujo :-) |
Observe no fundo, no centro da
imagem, o espaço para colocar mais um cooler frontal e outro
instalado no espaço à direita. Os HDs posicionados desta maneira permitem que o ar frio passe entre eles, resfriando-os. |
c. Coolers traseiros superiores (exaustor)
Em conjunto com a instalação dos coolers frontais
inferiores, é fortemente recomendada a instalação
de coolers traseiros superiores, soprando ar quente de dentro do
gabinete para fora, funcionando como exaustores. A
explicação para isso é simples: o ar quente, mais
leve que o ar frio, tende a subir, acumulando-se no alto do gabinete. Um
cooler jogando o ar quente de dentro para fora do gabinete, irá
diminuir a temperatura interna do gabinete. Visto que os coolers
frontais inferiores estão jogando ar frio para dentro, com a
saída traseira superior de ar quente, teremos um fluxo de ar
perfeito do gabinete, criando um "túnel" por onde o ar
passa.
Para entender melhor, veja abaixo a figura que a AMD Brasil utiliza
como referência para indicar um bom sistema de
refrigeração em um gabinete ATX torre padrão:
A figura acima mostra um bom sistema de
refrigeração interna de gabinete. Cortesia da AMD Brasil.
|
Fluxo de ar informado na lateral do
cooler (air flow). O ar vem da direita para esquerda. |
|
Espaço traseiro para
instalação de mais 2 exaustores auxiliares. Observe também que o cooler do processador não fica coberto pela fonte, neste gabinete ATX torre, permitindo uma melhor refrigeração do processador. |
d. Refrigeração
auxiliada pela fonte
Se você observar bem a figura acima, perceberá que nela a
fonte também serve como exaustor para o gabinete. A maiora das
fontes possuem apenas a entrada traseira de ar, sendo que somente fontes
de maior qualidade possuem um cooler "chupando" ar quente do
gabinete, logo acima do processador. Observe o fluxo de ar que sai do
processador e vai para cima, diretamente para a fonte.
Portanto, além de garantir uma maior segurança e
estabilidade ao seu computador, uma fonte de qualidade também
poderá auxiliar na refrigeração interna.
e. Organização dos cabos
Os cabos dos discos, especialmente os HDs e unidades ópticas IDE,
são largos e achatados. Dependendo da disposição
deles no gabinete, podem acabar prejudicando o fluxo de ar. Tente
dispô-los de maneira que não atrapalhem a entrada de ar
pela parte inferior do gabinete, e nem a saida pela parte traseira ou
superior (alguns gabinetes permitem a instalação de
coolers no teto, o que é uma boa idéia, desde que sejam
instalados como exaustores).
Uma opção interessante, especialmente para quem gosta de casemod, é a utilização de rounded cables, que nada
mais são do que cabos IDE normais redondos, como o cabo de
força da placa-mãe, por exemplo. Este tipo de cabo permite
uma circulação de ar melhor do que os cabos IDE
convencionais.
|
Exemplo de gabinete com cabos
desorganizados. Observe a barreira que os cabos IDE PATA brancos
fazem. Caso fossem "rounded cables" ou SATA (Serial ATA)
este problema seria minimizado. |
3. Outras fontes de informação
Você pode encontrar várias dicas a
respeito do tema em newsgroups e fóruns brasileiros.
Sobre os newsgroups, veja aqui
como acessá-los. Quanto aos fóruns, o acesso pode ser
feito usando o seu navegador, de forma muito simples. Os melhores
fóruns do Brasil, são:
FórumPCs
HardMOB
Se você entender inglês, pode encontrar muitas outras informações sobre isso na Internet, com o auxilio do "Tiu Gúgou."