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postado por Daniel Zhe
Eu gosto de ler blogs de alguns jornalistas esportivos, como Milton Leite, Paulo Vinícius Coelho, Guerrinha e outros, mas os comentários dos leitores são cômicos. Em um post falando sobre o show de abertura da Arena do Grêmio, consegui retirar uma informação relevante de um gremista - dizendo que o AC/DC não aceitou porque estará em turnê na Ásia na mesma época -  e uma zoação engraçada de um colorado - referindo-se ao "Plano B", e que ia dar certo porque de "Plano B" o Grêmio entende. O resto é puro lixo verbal.

Praticamente não há moderação na maioria desses blogs, aceitam qualquer bobagem sem critério algum, apenas para babar nos ovos do público e inflar o número de comentários. Parecem as "perguntas do Internauta" das transmissões da Globo: irrelevantes, idiotas e um mero exercício de puxação de saco. Aliás, falando em Globo, os blogs da ESPN tendem a ter comentários muito melhores do que os blogs do SporTV (canal da Globo).

Mas ao menos essas publicações quase sem filtros geram pérolas, como os comentários em blogs que terminam com gritos de torcida, do tipo: "essa arena vai ser uma piada VAMO VAMO MEU INTER". Será que o sujeito tá enviando isso de dentro do estádio ou é relevante urrar em apoio ao clube em uma caixa de comentários? Há tanta necessidade de deixar claro seu clubismo no comentário? E esses blogs, são blogs sérios sobre temas esportivos ou blogs onde vale qualquer coisa?

Fico imaginando eu conversar com uma pessoa sobre música e após concluir meu comentário, gritar freneticamente "OZZY! OZZY! OZZY!". Ou ainda, como se vê às vezes, terminar com "Deus te abençoe".

"Esse estádio será muito legal. Que Deus te abençoe!"

"Fomos ao show do Ozzy em Porto Alegre e estava ótimo! Que Deus te abençoe!"

O quê??? Eu sei que comunicação escrita é bem diferente da oral e que essas frases são usadas para identificar que a pessoa realmente terminou seu comentário, marcou "aceito os termos do blog", digitou o "captcha" e clicou em "enviar" por vontade própria e não por descontrole causado pelos seus danos cerebrais, mas porque diabos Deus deve me abençoar por eu ter dado uma opinião diversa sobre um assunto qualquer?

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Aproveitando o gancho, uso Internet desde 1998 e demorei anos pra entender porque algumas pessoas terminavam e-mails e mensagens em grupos de discussão com "Sem mais". Parecia-me que a pessoa ia escrever mais alguma coisa mas esqueceu. Nunca entendi, até que um amigo me explicou que "Sem mais" era utilizado em faxes para indicar o fim do documento, a fim de o receptor tivesse certeza que recebeu todo conteúdo. Fax, e-mail... realmente, recursos idênticos.

Se é pra avisar que a pessoa realmente terminou a mensagem e não mandou por engano, então por quê colocá-la na assinatura automática? Se é pra a pessoa ter certeza que recebeu o e-mail por completo, então essas pessoas devem ser coerentes e usar "sem mais" em todo tipo de comunicação. "Amor, você vai na padaria? Traga bolachas pra mim. Sem mais."

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"Amor"... quem chama a sua parceira de "amor" parece-me está querendo provar algo que não consegue. Uma certa necessidade de autoafirmação; Um desejo de mostrar para os outros que vocês se amam, independente de como seja a verdade; Uma forma genérica de chamar uma pessoa, removendo o fator pessoal nome ou apelido. "Amor" pode ser qualquer pessoa. Do tipo: "todas mulheres que namorei foram "amor", não houve diferença entre elas". "Esse foi um presente da amor"; "Na época ainda namorava a amor". Duvido que faraós chamassem todas suas 58 mulheres de "amor".

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A comunicação é engraçada. E também essencial. As pessoas não dão o devido valor a faculdade de interação mais importante da humanidade. Vê-se mulheres e homens extremamente preocupados com a aparência - uma forma de comunicação animal - e não conseguindo expôr o que há de mais importante neles, aquilo que os diferencia de todos os outros seres do planeta: suas mentes, as ideias presas em suas massa encefálica ou ainda, do ponto de vista religioso, suas almas.

Comunicação escrita ou falada, por gestos ou por ações: a dificuldade é a mesma. E isso é grave. Repetem palavras sem saberem o que significam; Banalizam termos, distorcem significados, não se preocupam com as diversas interpretações de suas ambiguidades. Mas talvez eu esteja errado e as pessoas realmente transmitam  o que estão em suas mentes, tal qual, sem tirar nem pôr. E a tragédia, portanto, é maior do que um fim desconexo em um texto vago.

Sem mais.
postado por Daniel Zhe
Desde criança, sempre fiz perguntas incômodas e quis entender a razão das coisas. Aos meus 13 anos, passei a questionar o sentido da escola em minha vida. Isso se acentuou aos 15, no segundo grau, hoje ensino médio, quando parecia-me tudo tão sem sentido e desconexo. Por que diabos eu precisava estudar sobre escritores arcaicos de 1800 e pouco que escreveram obras desagradáveis?  Qual a aplicação prática das equações matemáticas que eu via na escola? Já no terceiro ano, estava totalmente desinteressado por todas aulas, já que nunca achava as resposta para as minhas verdadeiras perguntas.

Livrei-me daquela desgraça e, enfim, cheguei à faculdade onde mesmo as matérias idiotas eram de minha escolha. Tudo fazia sentido. Odiava análise de sistemas, mas era preciso ter aquele conhecimento para poder me transformar em programador. Aulas de sociologia me davam um sono tremendo, mas achava importante entender um pouco do assunto. Afinal, como disse o professor de português instrumental, é da faculdade que saem (ou deveriam sair) as cabeças pensantes do país, a massa intelectual que faria alguma diferença. E era nossa obrigação entender um pouco do mundo além de nossas áreas específicas.

Meus questionamentos do ensino médio sobre ele próprio, continuavam sem resposta. Convivi com isso e deixei pra lá. Deixei de lado muitas coisas e muitas visões corretas que tinha naquela época juvenil, mas que acabei reprimindo-as ou esquecendo-as por culpa do sistema falho, arcaico e cômico em que nossas escolas funcionam. Sim, cômico, como um episódio de Seinfeld satirizando nosso cotidiano enquanto a plateia ri e bate palmas.

Lembro-me de uma certa reunião imbecil que promoveram no segundo ano para discutirem algum tema qualquer referente ao vestibular e nosso comportamento. Era uma das tantas babaquices promovidas pra matar aula. Eu, corretamente, levantei a questão se o problema não estava relacionado à pressão exagerada geral em torno do vestibular. Comicamente, isso foi visto como comédia e compreendido como uma reclamação minha à pressão. Logo eu, que tive ótimos e estimulantes pais, iria reclamar de algum tipo de pressão por vestibular? Riram e continuaram a bater suas cabeças em um debate antológico sobre o grande e terrível monstro do vestibular.

No ano seguinte, em uma aula de matemática, decidi arriscar e perguntar para professora pra que servia a matéria que ela estava passando. Ela deu um exemplo para cálculo de vigas em telhados e eu, prontamente, questionei:

- Mas se não pretendo nunca fazer isso em minha vida, por que preciso estudar isso?
- Porque tua casa vai cair!
- Mas eu não vou fazer isso. Alguém vai construir o telhado da minha casa, não eu.

Ouviu-se um repressão generalizada por parte dos próprios colegas - em especial os CDFs, claro, as máquinas de decorar sem pensar  - e a professora quase me expulsou da sala. Coitada, ela simplesmente não tinha o mínimo de preparo para um adolescente que fizesse perguntas. E os colegas, percebo hoje, eram frutos do meio. Eu não estava errado. Minha mente questionadora, inconformada e inquieta estava certíssima. A escola me estragou. Salvo exceções de três ou quatro professores que me marcaram para toda vida, a escola no geral, foi um atraso. E isso acabou deixando um gosto amargo.

Entretanto, senti-me renascido quando assisti a um programa de televisão, o Conversas Cruzadas, na TV Com, do dia 20 de Abril de 2012, e vi profissionais da educação, em especial o professor Danilo Gandin, fazendo afirmações que eu, adolescente aos 15 anos, já as fazia: o sistema é falho, arcaico e errado. A escola foi inventada para preparar as crianças para a sociedade e não é o que ela faz desde o século passado. Outro participante, o professor Fernando Becker, ressaltou a falta de experimentação prática que se há na escola e fez críticas ao modelo de ensino onde o professor joga a matéria no quadro, o aluno engole e depois demonstra através de uma prova. Vale a pena ver o debate.

Esse programa, esse debate, fez cair a ficha: eu estava certo. E isso me faz ver hoje, chegando próximo aos 29 anos, que meus questionamentos, senso crítico e satirização do cotidiano, mesmo deixando muitas pessoas desconfortáveis, estão corretos - mesmo que a minha ideia possa estar equivocada. Retirá-las da zona de conforto, assim como fiz com a professora de matemática, é necessário para a evolução e reflexão da sociedade.

Dói, é claro. É bastante penoso ver pessoas próximas de você como seus pais, namorada e amigos sentirem-se incomodados com alguma observação que você faz e que questiona seus valores. Dói ver as reações negativas quando você esperaria uma resposta educada por uma pergunta inocente. Você não perguntou ou expressou aquela opinião por mal, para tentar deixá-los desconfortáveis. Faz porque nasceu assim. Está no cerne daquele garoto de 15 anos oprimido na escola questionar, satirizar, ridicularizar e banalizar nosso cotidiano e sociedade. Mantém viva em você aquela chama que Neil deGrasse Tyson certa vez disse para mantermos: a curiosidade e inquietação infantil. Está em você, é você e nunca deixará de ser assim. É o eterno garoto de 15 anos. Para o bem ou para o mal, será o seu martírio. Mesmo fazendo perguntas erradas, estará certo em perguntá-las, mesmo que a opressão seja sua resposta.
postado por Daniel Zhe
O trânsito é algo que me frustra. Não pelos engarrafamentos, pedágios, buracos ou barbeiragens, mas sim pela falta de espírito coletivo das pessoas. Meu pai sempre diz que o trânsito revela as pessoas e pode-se perceber pelas suas ações no trânsito, como elas realmente são em relação à sociedade. Pesquisadores já afirmaram que algumas pessoas tratam seus veículos como extensões delas próprias e que ali, dentro de um veículo, sentem-se em seus próprios ambientes reclusos quando na verdade estão no meio da rua, interagindo.

O trânsito, por definição, é muito simples: X pessoas querem ir a Y lugares diferentes utilizando um número N de caminhos compartilhados por todas e seguindo um conjunto de regras para que possamos manter o sistema funcionando. Se fôssemos simular em um programa de computador, seria relativamente simples e nenhum acidente aconteceria, mesmo que houvesse um demora um pouco maior para alguns chegarem a seus destinos em pró do bem estar geral.

Entretanto, no mundo real, temos um componente chamado humano. Esse componente falha, falhou e falhará. Deve-se estar preparado para isso. Eis o principal motivo para se dirigir dentro das normas estabelecidas: por melhor que você pense que seja, a qualquer momento alguém pode cometer um erro e cortar sua frente. Um pedestre desatento poderá atravessar a rua. Uma criança poderá sair correndo atrás de uma bola. Ou um animal fujão poderá se atravessar diante do seu veículo. Supondo que se estando a 60 Km/h, você pudesse frear ou desviar tranquilamente, a 140 Km/h nem daria muito tempo de ter qualquer reação.

A respeito das velocidades máximas permitidas, ninguém as define aleatoriamente. Uma rodovia onde disseram que 50 Km/h é o máximo, provavelmente deve ser zona urbana, com fluxo intenso de veículos, pedestres, próximo a algum posto policial ou alguma curva muito perigosa. Só pelo limite estabelecido, sem saber de que estrada estou me referindo, sem conhecer o caminho, já se sei o que esperar.

E por que 50 Km/h? É número aleatório? Não, é o máximo considerado seguro levando em conta todos os fatores de risco da estrada, tais como condições da via, fluxo de pedestres e demais veículos. Talvez um motorista experiente com 20 anos de estrada sem nenhuma multa e um carro em ótimas condições, possa andar a uma velocidade superior no mesmo percurso, se estivesse sozinho com a estrada fechada só pra ele. Mas ele não está. Os terceiros vão cometer erros. Conviva com isso, todo mundo comete erros. Aliás, esse motorista também já deve ter cometido algum equívoco ao longo de sua jornada rodoviária.

A questão dos erros é tentar não se incomodar com os erros de terceiros, pois é uma constante humana. O que é difícil tolerar é a  imprudência, pois isso é nada mais do que o aumento consciente e desnecessário das chances de um erro ocorrer.

Quantos acidentes fatais são ocasionados por excesso de velocidade e ultrapassagens irresponsáveis ou em locais proibidos?

No trecho entre Caxias e Farroupilha, apesar da pista dupla, há alguns trechos perigosos e famosos por acidentes fatais. Um deles é a saída do desvio do pedágio, na Julieta, onde os veículos entram na rodovia ou reduzem a velocidade para entrarem no desvio. Nesse trecho, há uma extensa sinalização indicando a velocidade máxima como 60 Km/h, além de faixa contínua no eixo sinalizando ser proibida a mudança de faixa (como se alguém ligasse pra faixas contínuas). Além disso, há uma área à direita onde é possível os veículos que desejam sair da rodovia e entrarem no desvio, fazerem a frenagem final. Há uma parada de ônibus nessa área, muito mal posicionada por sinal, mas com espaço suficiente para um ônibus estacionar e os veículos passarem.

A saída do desvio para a rodovia é um pouco complicada e é aí que ocorrem os acidentes. Para ir do sentido Caxias - Farroupilha, os veículos que saem do desvio precisam cruzar a pista Farroupilha - Caxias e fazer o retorno, há cerca de 200 metros adiante.

Primeiro, começando pelos veículos que passam pela rodovia em velocidade muito superior aos 60Km/h estabelecidos. Pior: se você estiver na faixa da esquerda e andar a 70Km/h - já acima do limite, provavelmente terá um carro atrás "colado" e dando sinal de luz. E quando digo muito superiores, é 100, 110 Km/h ou mais.

Segundo, as pessoas desconhecem o conceito de fila e ao invés de ficarem atrás do veículo que está para sair do desvio, enfiam seus automóveis em qualquer brecha cortando quem está por primeiro na fila. Se a primeira pessoa da frente sair também, a desgraça está prestes a ocorrer e se o "dono da estrada" estiver a 120KM/h, dificilmente poderá fazer algo para evitar o sinistro.

Trata-se de puro espírito coletivo. Quando estou na direita e vejo uma série de veículos no acostamento querendo entrar na pista, se tenho toda a faixa da esquerda livre e é possível mudar para ela, qual a dificuldade em conferir no retrovisor, sinalizar e trocar de faixa para permitir os veículos entrarem? Nas grandes cidades, em certos cruzamentos, às vezes é impossível para alguns veículos atravessarem se terceiros na preferencial não colaborarem, simplesmente reduzindo a velocidade e indicando com um sinal de luz que vão dar passagem para o outro passar. Simples, fácil, pura questão de civilização. Hoje é ele, amanhã é você.

Trata-se também de uma questão de humildade, de reconhecer que sei menos sobre o trânsito do que quem estudou para isso. Os engenheiros que projetaram a estrada - sim, são engenheiros, não o carinha que passa largando piche - planejaram onde seria mais seguro ultrapassar. Eles estudaram para isso, eu não. A não ser que você seja motorista de ambulância, bombeiro ou carro de polícia, não tem nenhum motivo racional para ultrapassar em um local proibido, salvo alguma exceção bizarra como um sociopata perseguindo você. Aí eu até entendo. E recomendo. Fuja, mas tente pelo menos ligar o pisca pra avisar o que vai fazer.
postado por Daniel Zhe
Uma das coisas que me irrita profundamente no futebol atual, é o papo de "profissionalismo do jogador". Isso me dá um sentimento enorme de nostalgia por uma época em que não vivi, onde um clube mantinha seu sentido inicial de representar um bairro, cidade, estado ou país, onde o jogador era um representante e não um "profissional". Algo mais puro, mais amador, onde as cores da camisa realmente significavam algo pra quem as usava. Futebol não era um trabalho normal.

E não é, não pode ser considerado um. Ora, por acaso alguém fica fazendo torcida pra alguma empresa faturar mais que a outra? Alguém compra camisetas de clínicas médicas e comemora cada vez que um médico obtém êxito em um tratamento? Você pergunta para as pessoas se elas são "globistas ou recordistas", "cocacolenses ou pepsianas"? Não.

Jogador de futebol é uma profissão diferente das demais, assim como outros esportistas, artistas, jornalistas e todas essas ditas "pessoas públicas". No caso do Brasil, especificamente e principalmente, jogadores de futebol. Além dos milhões que os mais famosos ganham, há uma questão de responsabilidade e pressão muito maior. Em alguma outra profissão você é vaiado e aplaudido por 50 mil pessoas em um estádio? Repórteres correm atrás de você para saber por que cometeu determinado equívoco durante o expediente? Você pode trabalhar sem ter absolutamente nenhum preparo, apenas nascendo com o dom básico da profissão? Pergunte a um grande escritor se ele chegou ao sucesso sem ter estudado muito.

Eis o grande problema dos homens da bola: falta de preparo. Em geral são pessoas com pouca cultura, estudo, conhecimentos gerais e noção da própria responsabilidade. E isso é diferente de um artista desbocado ou viciado em drogas. O artista está vendendo aquele produto, sua imagem, seu jeito, ele mesmo e sua criatividade. Você gostar dele é a causa, não uma consequência. Ninguém "torce" para uma banda onde os integrantes e o gênero são modificados constantemente. A gente gosta da música e dos artistas, não existe torcida para um selo de gravadora.

No futebol é o contrário. Nós compramos a imagem e identificação com o clube antes do atleta existir. O guri de 12 anos torce por seu time, vê um jogador fazer grandes atuações dentro de campo, e acaba o elegendo como ídolo. Porém ele pode ser um péssimo exemplo como cidadão e pessoa, na maioria das vezes não por maldade, mas sim por ignorância. Ele não entende a responsabilidade que tem, não entende que milhões de pessoas estão torcendo e contando com ele, não entende que ele tem oportunidade de mostrar seu trabalho para o mundo.

Veja o exemplo do Adriano, ex-jogador do Corinthians, São Paulo e Flamengo. O cara é craque. Arrisco-me a dizer que se ele tivesse cabeça boa, faria tanto sucesso quanto Ronaldo e Romário. Mas não adianta. Ele tem talento e não tem preparo, não tem estrutura, não tem conhecimento, não tem a menor ideia do que é ser ídolo e do que fazer com seu pequeno salário de R$ 500.000,00. Envolve-se com traficantes, mulheres de índole duvidosa, tiros, falta treinos, jornadas de trabalho bêbado e é displicente com o corpo. Não serve de exemplo pra nada e pra ninguém, porém ele pode estar jogando no seu time e você torcendo pelo sucesso dele no trabalho. Por outro lado, um jogador dedicado a causas sociais, casado, com vida privada discreta, cultura (apesar de pouco estudo), dedicado, honesto e bom cidadão, pode receber toda sua urucubaca simplesmente por estar jogando no rival.

Não é uma "profissão qualquer" - ao menos para os jogadores de elite e é deles que me refiro neste texto. Não se pode ficar trocando de time pra deixar de ganhar a "miséria" de R$ 100 mil. Eles não estão "apenas trabalhando", estão representando algo, lidando com paixões, torcidas, imprensa e com todas as regalias e diferenças que só essa profissão pode ter.

Gostaria de ter nascido com talento. Acho que me tornaria presidente do Brasil sendo apenas quem eu sou, apenas acrescentando um enorme talento futebolístico. Já que isso não aconteceu, volto para minha profissão de mero mortal, onde sou obrigado a trabalhar sóbrio, sem torcida, sem pressão, sem fãs e sem entrevistas, mas com mais necessidade de preparo que um rei da bola. Puta mundo injusto.

postado por Daniel Zhe
O espiritismo diz que nós viemos para a Terra com um objetivo, uma missão, seja ela pessoal ou um sacrifício em pró de um bem maior. Se isso for verdade, imagino quais seriam os meus objetivos nesta vida ou porque diabos teriam me mandado pra cá.

Tenho alguns feitos que quero realizar ao longo da minha, mas podem ser considerados objetivos pessoais que talvez não estejam no plano original. Ou pode ser que alguns dotes que tenham sido concedidos a mim indiquem que esses objetivos são os reais. Não sei.

Imagino outra boa razão, que condiria com minha personalidade terrena: durante séculos critiquei a humanidade, as pessoas e seu comportamento, dizendo que a vida era fácil, simples, e que todas as pessoas estavam sendo frescas ao reclamarem. "Ah, esses vermes de carne reclamando porque quebraram uma perninha? Esses macacos falantes chorando porque não conseguem comprar uma porcaria nova? Fazendo drama porque uma pessoa que nem era pra ficar com eles, acabou não ficando? Tropa de retardados. Ainda ousam pedir a Deus para ajudar com suas bobagens mundanas.".

Então, meus amigos espirituais discutiam comigo dizendo que eu era muito exigente com as pessoas e que a vida não era assim, que eu simplesmente não entendia o que aqueles minutos significavam para um ser humano e não lembrava como era, pois minhas passagens anteriores na Terra foram dedicadas a outros objetivos, não compreender a natureza humana. Fizemos uma aposta e aqui estou hoje, para provar que nada era tão complicado quanto eles diziam ser.
Hoje, com possivelmente mais de um terço de vida vividos, admito que perdi a aposta e que já compreendo algumas silhuetas da humanidade que outrora pareciam-me apenas sombras.

A vida, o dia-a-dia, e as coisas mais imbecis acabam tornando-se complicadas ou supervalorizadas quando tudo que se vê é aquilo; Quando toda certeza que se tem é o presente; Quando tudo que se sabe, é o que nos foi dito; Quando tudo que se resta dos entes queridos que se foram, são as lembranças. Aquele momento em que você acorda cedo e se lembra de que é sábado; Teu animal de estimação fazendo festa por te ver; O café quente na manhã gelada; O episódio novo do seu seriado; O abraço da namorada quando você está deprimido simplesmente por ser humano e não entender tudo que gostaria. O bom e o ruim, tudo se encaixa. Tudo passa a fazer sentido quando se é humano. O segredo da vida é justamente estar vivo. A própria existência é a resposta para a pergunta: por que existo? Vivo para ver o que não poderia ver se não vivesse. A vida é a resposta para o seu sentido.

Em um episódio dos Cavaleiros do Zodíaco, Seiya, o personagem principal, questiona um dos deuses sobre o porquê deles, com exceção de Athena, estarem em constante conflito com a humanidade. A resposta é que os deuses invejavam a humanidade pois enquanto eles viviam em uma eternidade de monotonia, nós vivíamos intensamente cada segundo, cada detalhe que passava despercebido para um deus. Éramos felizes por poder sentar e observar o pôr do sol, o único que conhecemos e que só poderíamos ver algumas vezes e em determinados momentos de nossa passagem pela Terra. Athena compreendia isso tudo por ser humana.

Há tanta beleza no colossal quanto no minúsculo. Em um pequeno ser, que talvez nem o próprio universo tenha consciência de sua existência, há complexidade, emoção, sentimentos, inteligência, pureza, maldade, bondade e ignorância. E este ser pode ver aquilo que o Todo não percebe, existindo de uma forma única e mutável, adaptando-se, evoluindo, errando e acertando ao longo de uma jornada turbulenta comum a todas as pessoas vivas.


postado por Daniel Zhe

Os períodos de hiato do Abacate sempre foram comuns por falta de inspiração, pois sempre tratei esse blog como um hobby, ou seja, não sou obrigado a "fazer esforço" pra postar nada aqui. Assim como a vida, que é sazonal, esta "árvore" também é.


Vida que segue um fluxo de altos e baixos. Nada é pra sempre, nada é imutável, até mesmo o universo está em constante transformação. Às vezes isso me deprime, pois parece que nossas ações são irrelevantes, já que são tão minúsculas do ponto de vista do universo, que é difícil crer que isso tenha alguma relevância. Você pode enlouquecer dependendo do nível de profundidade em que pensar na finitude das coisas ou pode simplificar tudo e resumir sua existência ao aqui, agora e daqui a pouco, entendendo que essas são as únicas ferramentas que você tem para tentar um dia chegar a compreensão plena,seja pelo sono eterno da morte ou por uma pós-vida consciente.


Em contrapartida, penso no desconhecimento que tenho acerca do "todo" e em como esses detalhes podem ter um papel muito mais significativo em um contexto que somos incapazes de perceber além, é claro, do fato de que tudo que somos é esse pequeno ser com tantos sentimentos, curiosidades e complexidade. Ou seja, tudo o que somos, é tudo o que temos e por isso deve-se dar tanto valor a isso, aprendendo a lidar com a arrogância humana de precisar ter controle sobre tudo.

 

Divagar sobre algo maior e incompreensível, o que pode ser o Deus de alguns, me conforta e faz dar muito mais valor à troca de estações, a vida.


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Troca de Estações que parece não está ocorrendo com o clima. Eu gosto do calor moderado, aquele que me permite tomar banho e deixar o cabelo secar naturalmente, não aquele que me faz implorar por um banho várias vezes ao dia. Desde novembro que não lembro de um dia de "friozinho" da serra. Aliás, isso me deu uma nova ideia para uma teoria da conspiração:baseado no fato comprovado de que a Terra está sendo "atacada" por uma forte tempestade solar e de que no fim do ano completar-se-á um dos ciclos solares de 11 anos - culminando em forte atividade solar, pode-se conspirar dizendo que nossa estrela está muito mais quente do que o normal e por isso faz tanto calor há tanto tempo na região Sul. Mas "eles" escondem essa trágica verdade de nós para não alarmar a população. Aguardem o apocalipse em dezembro, coincidindo com o "fim do mundo Maia".


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Sobre o fim do mundo e a inconstância das coisas, talvez já estivesse na hora de acontecer uma grande catástrofe para mudar algo na humanidade. Não precisa ser uma extinção da civilização, mas algo que cause um trauma suficiente para modificarmos a forma doentia com que estamos lidando uns com os outros e com o planeta. Ou quem sabe, as estações já estão mudando, só não consigo perceber de meu pequeno ponto de vista individual.

postado por Daniel Zhe
Existem questões em todas as áreas da ciência que são perfeitamente normais um leigo desconhecer a resposta. Por exemplo, alguém que não é programador não saber diferenciar um "banco de dados" de um SGBD é perfeitamente normal. Alguém não saber o que é um transponder, idem, desde que essa pessoa não seja piloto de avião. O problema é quando um profissional de uma determinada área peca pela falta de conhecimento perante um leigo que não tem como saber que está sendo enganado. Afinal, como saber se o médico que está nos atendendo sabe o que está fazendo? E o mecânico? E o dentista, encanador, advogado, motorista? Na nossa área de atuação, sabemos reconhecer os bons dos ruins, mas e na área em que não conhecemos?

Eu não sou "técnico de computador", por isso não há nenhum problema relacionado à ética, uma vez que não estou comentando sobre concorrentes e sim apenas demonstrando situações e conceitos que conheço, mas que um leigo e falsos profissionais desconhecem.

A ideia do texto é ser também didático, pois muitas informações aqui contidas farão vocês poder facilmente deixar um pseudo-técnico sem graça.  Outros itens são observações que um profissional da área jamais poderia fazer. Lembre-se que isso é muito importante porque ao contrário de médicos, advogados e engenheiros, que precisam de curso superior e uma certificação para exercerem suas profissões, qualquer pessoa pode se autodenominar "técnico de computadô" que não estará cometendo crime algum, sem precisar ter qualquer tipo de certificação, conhecimento ou curso superior.

Veja abaixo a lista de 7 itens que podem servir como indício para saber que seu computador está em más mãos.

1. Avaliar processadores pela frequência do clock

Faz alguns anos que frequência de clock (quantos Ghz um processador tem) não tem nenhuma ou quase nenhuma relação com o desempenho do processador. Somente faz sentido comparar clock entre processadores idênticos (mesmo processador, mesmo núcleo e mesma quantidade da cache). Entre processadores diferentes, é como comparar um Chevette 79 1.6 com um Honda City 1.5 e dizer que o chevetão é "melhor" porque "1.6 é maior que 1.5".

Mais do que isso: embora muitos processadores modernos já tenham pequenas diferenças de clock entre versões do núcleo (3.30 Ghz contra 3.33 Ghz, por exemplo), é muito fácil ser enganado quando usarem essa falsa medida. Geralmente quem realmente entende não se preocupa com clock e ignora tal informação pouco relevante hoje em dia, mesmo porque faz alguns anos que se chegou a um limite físico de frequência e não se consegue passar disso.

Se alguém falar "i7 2 Ghz" ligue o alerta: quem conhece mesmo vai se referir à versão do núcleo do processador, não à frequência. Se o sujeito insistir na asneira do clock, diga pra ele que tenho um Pentium 4 com estonteantes 3 Ghz e que troco "de mano" por qualquer i7 que ele tiver com "menos ghz".

2. Chamar processadores modernos da Intel de "Pentium"

Pentium foi uma marca usada durante muitos anos pela Intel, com processadores ótimos e outros vergonhosos (sim, não é porque é "Pentium" que é bom, tem algumas versões lamentáveis). Quem chama Core2Duo, CoreDuo, i3, i5, i7, etc., de "pentium", realmente não sabe o que está acontecendo nessa área. Tenha medo de múmias que não se atualizam e não usam os termos corretos. Um leigo não precisa conhecê-los, mas um profissional deve.

3. Pergunte se é possível remover o vírus de um computador sem precisar "formatar" ele.

Desconsiderando o jargão "formatar computador" que já é um termo incorreto (o que é formatado são discos, não computador), tecnicamente, sempre é possível, só é preciso avaliar se o trabalho para removê-lo compensa ou se realmente é apenas um único vírus. A resposta correta é "depende". Se a pessoa responder "não", é um indício de que ela aprendeu a "formatar o computador" e usa isso como solução pra tudo, ou seja, aprendeu a usar o martelo e sai martelando tudo que vê pela frente. Seria com um médico que recomenda amputação da mão para um dedo machucado.

4. Pensa que muitos arquivos no disco influenciam no desempenho.

Isso é um mito comum até entre os mais "entendidos" da área e infelizmente, tornou-se senso comum. O fato é que em um HD em condições normais não sofre interferência no desempenho por ter pouco espaço em disco. Observe que uma coisa é ter 200 GB em arquivos "parados", outra é ter 200 GB em programas executando ao mesmo tempo.

Esse processo de limpar arquivos inúteis do disco, serve apenas para liberar espaço em disco e eliminar arquivos que não são mais necessários! O que pode interferir no desempenho é a fragmentação dos dados ou a ausência de espaço livre mínimo para o sistema operacional criar o arquivo de troca (e o Windows avisará nessa situação), mas em geral, "HD lotado" não deixa micro lento e muito menos instável.

OBS.: algumas situações críticas podem deixar o desempenho mais lento, como por exemplo visualizar uma pasta com 500 mil fotos e a visualização de miniaturas habilitada, mas lembre-se que o que está sendo lento é o processo de acessar uma quantidade enorme de dados.

5. Conte que um amigo seu disse que um vírus queimou a placa-mãe dele. Pergunte se isso é possível.

A resposta certa é um enfático NÃO, isso NÃO é possível. Existiam alguns uns vírus antigamente que zeravam a CMOS (a grosso modo: uma memória que armazena configurações da placa-mãe quando o computador está desligado) e apagavam o BIOS, mas são processos reversíveis. Software NÃO queima hardware, a não ser que o hardware possua uma falha ou recurso de autodestruição que o software possa acessá-lo. Nesse caso, na prática, seria o próprio hardware que estaria "se queimando". Por exemplo, existe uma modificação para o GTA IV que em uma placa de vídeo com refrigeração pouco eficiente, pode fritar o processador dela. Nesse caso, é falha de hardware.

6. Pergunte porque o Windows mostra seu HD de 320 GB como tendo apenas 298 GB. Peça onde foram parar esses 22 GB "desaparecidos". O mesmo vale para pendrives.

Essa não é tão importante, mas é interessante e serve como curiosidade. Em resumo, a resposta certa é bem simples: os fabricantes adotam as medidas de KB (Kilobytes), MB (Megabytes) e GB (Gigabytes) de uma forma diferente do sistema operacional. Caso interesse saber, veja a explicação abaixo.

Os fabricantes adotam:
1.000 bytes = 1 KB
1.000 KB = 1 MB
1.000 MB = 1 GB


Acontece que na prática, o correto seria:
1.024 bytes = 1 KB
1.024 KB = 1 MB
1.024 MB = 1 GB


Fazendo matemática simples:
Os 320 GB que o fabricante diz ter, na verdade são aproximadamente 320.000.000.000 bytes. O valor é aproximado, na prática é um pouco menos ou mais, pois varia muito entre os modelos de HD e os fabricantes. Quando convertemos isso usando a medida correta (1.024), obtemos aproximadamente os seus 298 GB.

Veja:
320.000.000.000 bytes / 1.024 = 312.500.000
312.500.000 KB / 1.024 ~= 305.175 MB
305.175 MB / 1.024 ~= 298 GB


7. Utilizam softwares para "melhorar o desempenho"

Considerando os sistemas operacionais de 2001 pra cá, como Windows XP, Windows 7, Vista, 2008 e outros, em um computador configurado corretamente usando os próprios recursos oferecidos por ele, pode-se afirmar que com exceção de desfragmentador de disco, TODOS esses softwares milagrosos que "melhoram o desempenho do computador" são simples placebos, para não dizer lixo completo. Não existe nenhum teste confiável ou motivo técnico viável que mostre algum  ganho significativo em programas "otimizadores", tais como TuneUp Utilities, os ridículos otimizadores de memória (como o Ram Booster) e os "limpadores de registro do Windows".

Observe que isso é diferente de versões otimizadas de programas já conhecidos, onde é mudado o algoritmo dele ou a forma como ele é compilado, permitindo utilizar instruções específicas disponíveis em alguns processadores mais modernos. Também não há relação nenhuma com softwares de overclock, que alteram parâmetros do hardware para fazê-lo funcionar acima das especificações definidas originalmente pelo fabricante.

Ressalto também que os desfragmentadores de disco podem oferecer ganho de desempenho somente nas operações relacionadas a leitura e gravação do disco, não vão fazer nenhum milagre.
postado por Daniel Zhe
Tradição é uma ação executada periodicamente ou em determinadas situações, de forma respeitosa e ritualística, por uma cultura ou civilização, ao longo das gerações. O Natal, a Páscoa, as touradas na Espanha, a escravidão até o século XIX, ir à igreja aos domingos e comer lentilhas no ano novo, são tradições, algumas evidentemente nocivas e outras não. Tradição não é incriticável e imutável por ser repetida incessantemente – vide tradições malévolas que a evolução moral passou a condenar. Ao longo dos tempos, algumas surgem, outras morrem e outras se transformam. É um conceito puramente ideológico. E então, como todas outras ideias, porque não pode ser questionada e porque deve ser protegida a todo custo?

Penso no exemplo do tradicionalismo gaúcho. CTG, músicas gaúchas, vestido de prenda, roupa de peão, Semana Farroupilha, etc.. Odeio tudo isso. Acho uma grande bobagem, mas não me incomoda e nem é meu direito tentar impedir essa manifestação. Não cabe a mim o poder de impedir sua propagação. Quero deixar claro que a questão não é as pessoas exercerem as atividades que desejarem sem causar prejuízos a terceiros, e sim acreditarem piamente que tais dogmas são intocáveis e devem ser protegidos a todo custo, colocando-os acima de novidades positivas que outras culturas possam agregar.

Quando manifesto esse pensamento, sou visto como traidor da “pátria” pelos meus conterrâneos, como se o fato de eu ter nascido aqui me moldasse naturalmente a determinados gostos. Do ponto de vista de um estrangeiro, devo gostar de samba, carnaval e futebol. Do ponto de vista de um brasileiro, devo gostar de bombacha, chimarrão e música galdéria. Do ponto de vista de meus vizinhos, devo conhecer o dialeto italiano e chamar minha avó de “nona”. Não entendo. Reúnam-se todos e façam um seminário para debater o estereótipo em que supõem que eu devo me enquadrar.

Digo-lhes que apesar do orgulho da nossa cultura local, o fluxo natural do mundo faz com que ela tenda a se misturar com outras. O melhor e o pior, o bom e o ruim. Uma proteção artificial a rituais que tendem a desaparecer não impedirá o romper da barragem. A reciclagem, a agregação, a evolução de uma cultura, não deve ser impedida.

De mãos dadas ao protecionismo egocêntrico, invariavelmente, temos ainda a xenofobia. Xenofobia, nos tempos de hoje, é um atestado de imbecilidade. Vê-se muito disso manifestado também na Internet, o que torna a prática xenófoba mais hipócrita do que o normal. O sujeito usa um computador com tecnologia britânica, americana, alemã, holandesa e japonesa, todo montado na China, Taiwan, Singapura e Hong-kong, usando algarismos numéricos indo-arábico,  para profanar seu discurso antiamericano, anti-argentino, anti-paulista, anti-gaúcho, anti-alguma-coisa. Sente dor de cabeça, toma um analgésico alemão, sente frio, liga um aquecedor uruguaio, sente fome, come uma maçã argentina. Tudo em frente ao seu televisor coreano exibindo um filme americano.

Pior do que a xenofobia, está o bairrismo exagerado e a xenofobia entre irmãos brasileiros. Aqui no Rio Grande do Sul, existe uma cerveja chamada Polar. Muitos a tomam porque a preferem, mas a maioria opta por ela porque é a “cerveja daqui”. Será que sabem que apesar da Polar ter sido fundada em 1929, no município de Estrela - RS, desde os anos 1970 ela é uma marca da Companhia Antarctica Paulista e hoje da Ambev? Daqui mesmo, só água mineral ou o ótimo guaraná Fruki.

Luta-se para impedir a substituição do arcaico pelo novo oriundo de fora, mas não se pensa em proteger o povo da própria aberração produzida aqui, tais como rodeios, putaria carnavalesca e funk carioca. Em nosso clichê mundo globalizado, devemos aproveitar a oportunidade histórica de extrair o melhor que cada povo nos oferece, de uma bela música britânica a uma deliciosa pizza italiana regada a Coca-Cola, de um carro coreano a um doce uruguaio. Não importa a tribo que fez, nem de que lado do rio foi vendido. Apreciar o bom, o agradável, o bem feito, sem se importar se foi Smith, Schimtz, ou Silva quem o fez, é uma nova possibilidade do nosso mundo. Não vamos desperdiçar isso por causa de um orgulho tradicionalista bobo.
postado por Daniel Zhe
Objetos são ferramentas criadas pela humanidade e natureza para facilitar nossa vida nesse planeta ou para suprir alguma necessidade que não sabíamos que existia. Eles são derivados dos créditos, aqueles pontos com forma retangular, números e desenhos bonitos que recebemos no fim do mês para trocarmos por coisas úteis, sejam serviços de outras pessoas, comida, água, aluguel ou principalmente, outros objetos. Nossa vida é baseada, fundamentalmente, nas relações interpessoais, relações intrapessoais e relações com objetos.

Objetos são nossos. São escravos, criados para nos servir. São coisas. Eu quero que meu carro me leve de casa até o supermercado e para isso, preciso interagir com essa “coisa” para que ela “saiba” o que desejo, por que caminho seguir, onde parar, etc., obedecendo a um conjunto de normas e leis que nós criamos para convivermos em harmonia um com os outros (relações interpessoais). O computador é outra das várias máquinas de problemas que faz coisas para mim. Permite-me armazenar fotos, textos, ouvir música, acessar informações, assistir vídeos, jogar e trabalhar. Por definição, o computador, o automóvel, a escova de dente, a xícara, a calça, o paralelepípedo e todos esses seres inanimados que inventamos, são totalmente inúteis se nós não os escravizarmos. A questão é porque acabamos deixando esses seres inanimados, nossas criações feitas para subirmos até o oitavo andar sem gastar a sola de nossos tênis de R$ 250,00, serem nossos donos e fazerem nós no sentirmos dependente deles.

Lembro-me de outro texto onde comento sobre a máquina de fazer problemas que somos, sempre criando novas soluções para novos problemas, que criam novos problemas, que demandam novas soluções, que criam novos problemas, e assim por diante, até que temos as opções de ficarmos insatisfeitos eternamente por não resolvermos tudo ou relaxarmos e irmos pra casa jogar FIFA 12 e tomar Coca-Cola. Não é certo.

Eu gosto de coisas. Eu coleciono CDs, gosto muito disso. Gosto de computador e gosto de dirigir meu carro, gosto das minhas camisetas de banda, gosto do meu tênis velho. Não me entendam mal, eu mantenho apreço por bens materiais. Meu ponto é quão importante isso é em nossas vidas. O problema é chegar ao meio termo entre depender das coisas e não ligar para elas, torná-las reflexo de nós, não aquilo que nos define. Conseguiria eu ter uma boa noite de lazer sem FIFA para jogar? Se meu carro estragasse, saberia ir ao supermercado comprar Coca-Cola sem ele e conseguiria sobreviver a isso sem a dramaticidade de estar sem um objeto que até poucos anos atrás eu não tinha? Consigo cuidar dos meus objetos sem ficar obcecado para mantê-los na mais extrema perfeição e sem fazer o mínimo para eles manterem-se em bom estado?

Se eliminarmos as futilidades materiais completamente de nossas vidas, o que nos sobrará será o intrapessoal (nós com nós mesmos) e o interpessoal (nós uns com os outros). E é aí que o bicho pega. Pessoas amam, cuidam, protegem, agradam, mas também decepcionam, magoam, ofendem. Talvez por isso nós tenhamos essa tendência a se apegar tanto aos objetos e pessoas materialistas serem tão fúteis: não conseguem se relacionar com si mesmas e por isso buscam objetos para substituir o seu próprio “eu”. Se não está bom, basta trocar. Se alguém criticar, será crítica ao objeto, não às pessoas. Se tirar o material, precisarão lidar com a sua sombria personalidade, com seus mais profundos medos.

Creio que, no fundo, todos nós tenhamos um pouco desses medos. Não tem nada de mal gostar de nossos bens, não tem nada de mal gostar das coisas e ter esses medos. Só não podemos deixar de falar com nós mesmos porque a bateria do celular acabou.
postado por Daniel Zhe
Não é de minha autoria, mas é um texto curto e bastante interessante.

"
Um olhar sobre o motorista agressivo retratado em Psicologia e marketing mostra que "ele" (mais do que "ela") tende a ver o veículo como uma extensão de si. "Enxergar os carros como uma extensão de si mesmo pode levar as pessoas a interpretar qualquer ameaça a seus carros como uma ameaça direta a si mesmas", explicam os autores os autores.

Os estudos não abordam a questão óbvia sobre quais partes dessas pessoas foram "estendidas" aos carros. E talvez tudo isso pareça bastante óbvio para indivíduos cujos bens muitas vezes são até batizados por eles com nomes bastante singelos."


Leia o texto completo na Scientific American Brasil, clicando aqui.
postado por Daniel Zhe

(Falta de espaços no texto corrigida)

A Internet foi uma das maiores revoluções culturais da civilização. De um passado onde somente a elite sabia ler e tinha acesso aos livros, hoje qualquer jaguara conectado à internet pode acessar praticamente qualquer conhecimento conquistado pela humanidade. A informação que se escolhe acessar, no entanto, ainda depende muito da seletividade e senso da pessoa, ou seja, há acesso a tudo e de toda qualidade.

A dificuldade não é só achar material de qualidade em um universo onde qualquer um produz conteúdo, é também selecionar o que se recebe, desde diferenciar o bom do mau material até filtrar o que se precisa ou não saber. A tempestade de informações está desumanizando as pessoas, está afastando-as do lado bonito da construção do saber, da descoberta, da vida em si. Você acaba se sentindo sufocado por um excesso de conteúdo e pela obrigação de saber tudo, além da necessidade fabricada de entender sobre assuntos que você nem gostaria de saber.

A sociedade quer que nós nos tornemos uma espécie de deuses do conhecimento: oniscientes e atemporais, sabendo de tudo desde sempre e para sempre. Não há tempo para aprender. Não há tempo para descobrir, assimilar e, às vezes, nem mesmo tempo para criticar.

Gosto de comprar CDs. Não só aqueles que eu já conheço, mas também – e principalmente – álbuns desconhecidos e lançamentos de bandas que gosto. Quando sei que uma banda vai lançar um disco novo, gosto de esperar a data do lançamento para então poder adquirir o disco físico e curtir a sensação de abrir a caixinha, ver o encarte, ler as letras e escutar a obra pela primeira vez. Melhor ainda, é não saber nada sobre aquele álbum e manter o mistério: o que será que fizeram dessa vez? Do que se tratam as músicas? Como será a banda agora que o Mike Portnoy saiu? Mas com tanta chuva de informações, praticamente já se conhece todo o trabalho sem ele se quer ter sido lançado. Críticas de especialistas, comentários de fãs, vazamento do disco na Internet... preciso fechar os canais de comunicação para que não tirem de mim o prazer humano da descoberta.

Isso ocorre também no mundo dos jogos. Antigamente, meus amigos e eu gastávamos tardes inteiras pra tentar descobrir como fazer o pilão do Zangief ou o hadouken de fogo no Super Street Fighter II. Uma revista explicando alguns golpes era ouro. Hoje isso acabou. A enxurrada de informações nos diz até quais serão os personagens novos da próxima versão do jogo, quais serão seus poderes, como serão visualmente e suas histórias. Se bobear, até vídeo disso já tem.

Álbuns de figurinhas de jogadores de futebol, revistas de ciência com as últimas novidades de dois meses atrás e até o gostoso jornal de papel, tudo está sendo sufocado pela necessidade da tal era da informação, ao forçar as pessoas a saberem tudo segundos depois do fato. Estou de saco cheio disso. Estou apagando as luzes. Quero respirar, quero saborear cada novidade, cada página da revista e ler até as matérias pouco interessantes quando não tiver nada para fazer. Quero ler os encartes, imaginar o significado das letras, sujar os dedos de papel, ser o último a saber do novo Windows. Quero sentar à janela e procurar desenhos nas nuvens, quero olhar para uma estrela e não saber seu nome nem pensar em procurar no Google sobre ela. Quero sentir dor de barriga e achar que é somente uma indigestão, não uma das 847 novas doenças que causam dor de barriga. Quero me sentar em frente ao piano e demorar semanas até achar as notas certas. Viver e ser humano, ser mais analógico e menos digital, mais off-line e menos on-line, para quando chegar no fim do dia, cansado e com sono, não me lamentar por ter pedido a beleza de uma chuva de verão.

Leia também: Vida Simples (Você é um Idiota)

postado por Daniel Zhe

Certa vez li uma crônica - não me recordo de que autor, justificando o rótulo de "chato" que os críticos recebem, por serem consideradas pessoas eternamente insatisfeitas, implicantes e que reclamam muito. Dizia que o papel de um crítico é justamente esse: criticar, procurar defeitos e dar opiniões diferentes do senso comum, que não há sentido em fazer uma crítica que soe natural aos leitores.

A partir desse princípio, levanto-me para proferir o que poucas pessoas têm coragem de se quer pensar ou admitir: Oasis é muito melhorque Beatles. Muito melhor. Não discuto o impacto que Beatles teve na música, pois absolutamente todas as bandas que gosto citam Beatles como referência e inspiração – incluindo o próprio Oasis que tem várias referências à banda de John, Paul, George e Ringo. Poucos artistas foram tão importantes para o rock e suas vertentes quanto eles, porém isso não implica que o que veio posteriormente não possa ter sido melhor nem de que os pioneiros foram ruins em sua época.

Mas então, porque afirmo que Oasis é melhor que Beatles? Em relação às letras, ambos possuem composições boas e ruins, que seguem uma velha fórmula mágica de falar de amor e outras que te fazem pensar. No entanto, não vejo nenhuma letra de Beatles tão profunda e trabalhada quanto "Live Forever", "Champagne Supernova" ou até mesmo a melosa "Slide Away”. Podemos colocar "Yesterday” – um das melhores músicas da história – frente a frente com qualquer uma das três que, em se tratando de profundidade e qualidade da letra, não ficarão devendo em nada.

Mas Oasis, em especial Noel Gallagher, também varia por outros temas com a mesma habilidade que usa nas músicas clássicas sobre amor. A empolgante "Rock n’ Roll Star" e "Don’t Look Back In Anger" servem como contraexemplo às simplíssimas "Day Tripper" e "Let It Be", além da repetitiva e enjoativa "Love Me Do", que às vezes me faz lembrar que sábado vem depois de sexta e que today is Friday.

Considerando também como todos os instrumentos interagem entre si e a condução da música, Beatles tem toda a singularidade de "Lucy In The Sky With Diamonds" e o hino "Come Together", além da emocionante "Hey Jude". Para contrapor a essas, podemos jogar nossa carta mais alta com "Wonderwall", "Don’t Look Back In Anger" e "Cast No Shadow", ambas do álbum "What’s The Story (Morning Glory)", uma obra prima que, mais uma vez, não deve nada para nenhum dos mais aclamados álbum dos Beatles.

Outro fator importantíssimo pró-Oasis, é a diversidade. Beatles seguiu certa linha consagrada de radio friendly songs about love, que se manteve ao longo de todos os álbuns, com algumas variações para psicodelia e musicas "faceiras", beirando a infantilidade, como "Yellow Submarine", "All Together Now" e até "Good Day Sunshine", sem conseguir desenvolver muito o conceito ou ir além de 2 ou 3 minutos de música, criando praticamente loops infinitos de refrãos com algumas frases dispersas conectando um ao outro.

Elementos como solos de guitarra ou instrumentais são inexistentes em Beatles. Também pudera: com músicas de 2 minutos e meio você não consegue fazer muito mais do que um refrão grudento e repetitivo. "All Around The Word", do Oasis, equivale a um álbum completo dos Beatles. Não me refiro ao tempo da música (pois posso ficar 30 minutos tocando do-ré-mi-fá), mas a todos os elementos que você ouve, passando pelo refrão, parte instrumental, solos, alteração de "humor" e ambiente ao longo de uma única faixa.

Ainda não acreditam que Beatles é um cópia eterna de si mesmo? Vamos analisar o tracklist de um de seus melhores álbuns, o "Help!":

1. "Help!"
2. "The Night Before" 
*
3. "You've Got to Hide Your Love Away" *
4. "I Need You" *
5. "Another Girl" *
6. "You're Going to Lose That Girl" *
7. "Ticket to Ride" *
8."Act Naturally"
9. "It's Only Love" *
10. "You Like Me Too Much" *
11."Tell Me What You See" *
12. "I've Just Seen a Face" *
13. "Yesterday" *
14. "Dizzy Miss Lizzy" *

* Música sobre amor/dor de corno/você me deixou. Total: 12 hits.

Bem, talvez "Help!" não seja uma coleção de clichês, seja um álbum conceitual sobre relações amorosas, assim como "Remedy Lane", da banda de metal progressivo Pain of Salvation.

Na questão da personalidade, que frequentemente usam como argumento anti-Oasis, digo que a briga entre os irmãos Noel e Liam torna a banda mais interessante ainda. Guardada as devidas proporções, lembra a guerra de egos entre David Lee Roth e Eddie Van Halen, na primeira formação do Van Halen, além de propiciar cenas pitorescas como Liam dizendo que estava "doente" antes de entrar no palco do Acústico MTV e, durante o show improvisado pelo irmão, ser flagrado nos camarotes bebendo cerveja e curtindo a apresentação. Declarações polêmicas e a arrogância são um tempero extra, enquanto o tempero a mais de Beatles foi a Yoko Ono enchendo o saco. É como o Maradona: ele foi um grande jogador, não foi maior que o Mito e Rei Pelé, mas o personagem Maradona, o cheirador polêmico e gordo, é muito mais interessante do que o monótono e boçal Edson Arantes do Nascimento.

Por fim, concluo com um fator que comprova que Oasis é uma evolução natural de Beatles: a qualidade das gravações. As gravações de Beatles são bastante irritantes de se ouvir em stereo graças à brilhante idéia de colocarem o canal de voz isolado em um lado. Beatles mono é simplesmente tudo jogado nos dois canais. Nunca pensei que tivesse algo errado com meus fones de ouvido ao ouvir Oasis.

Atualização 24/10/2011: Engraçado, já ouvi "N" vezes "Rush é muito melhor que Dream Theater" e minha resposta sempre foi: "Legal, é bem possível que seja, mas eu gosto muito mais de ouvir Dream Theater e não gosto de Rush". Nunca me importei muito com o clamor da crítica contra ou a favor de bandas que gosto ou desgosto. Os próprios fãs de Dream Theater tendem a odiar o LaBrie (vocalista) e eu sou fã dele (apesar de reconhecer algumas performances lamentáveis dele), mas nunca me importei com isso ou fui xingar alguém em algum blog. Inclusive já tive algumas idéias pra Desciclopédia, mas não vem ao caso... O chilique dos beatlemaníacos é comparável ao dos religiosos quando você critica a religião favorita deles. Achei interessante também a dificuldade absurda em interpretar textos e as ofensas pessoais que recebi via Orkut e comentários, com uma série de falácias ad hominem. Raros conseguiram criticar sem partir pra baixaria e somente UMA pessoa, entre os que discordaram, aceitou minha opinião e disse que mesmo assim preferia Beatles.

postado por Daniel Zhe

Estreando o novo componente que agora permite "qualquer coisa" no HTML do site, estrago o dia de vocês assim como estragaram o meu. Créditos ao nosso amigo Galafassi, que já postou alguns textos aqui.


Postado em 19/10/2011 04:43
TV
postado por Daniel Zhe
Agora tem opção para ficar logado "para sempre" no Abacate Doce. Um motivo para os 5 ou 6 leitores que comentam se registrarem, é que mantendo-se logados não precisam digitar a porra do captcha pra mandar comentários, além de... hum.... é, enquanto eu não ganhar na MegaSena e distribuir dinheiro aleatório para os visitantes, não tem nenhuma outra vantagem.

Fiz outras pequenas correções também que não devem ser muito relevante para vocês.
postado por Daniel Zhe
Terminei uma modificação importante no Abacate Doce, com a atualização de vários componentes, correção de bugs no código, mudança na interface de gerenciamento dos posts e outras facilidades para satisfazer meu ego.

Mas esse post tem como intuito avisar que a partir de agora todos os comentários só serão publicados após aprovação do ditador do site. Em alguns casos, de usuários registrados amiguinhos meus (80% dos visitantes), os comentários são publicados automaticamente. Mas não se preocupem em logar ainda, pois quero implementar a opção "ficar logado forever" pra não terem q se logar aqui a cada vez e eu recebo notificação via e-mail dos comentários de vocês.

Sobre a trollagem...

Alguns meses implementei um tosco detector de comentários ofensivos, um amontoado de "ifs" que automaticamente apagava comentários que batiam alguns critérios, sem eu se quer perder tempo lendo ou tendo que clicar no botão "Excluir Comentário". Uma pena que não me preocupei nem em gravar log desses comentários filtrados, para posteriormente lê-los todos juntos e fazer um post especial com as pérolas de frustrados que de vez em quando procuram aleatórios na Internet para descarregarem seus anseios.

Mas enfim, após esta atualização, voltarei ao ritmo normal de publicações.

Um forte abraço na família e um beijo no coração de todos.

OBS.: Comuniquem-me via rede social, e-mail ou Gtalk se encontrarem algum bug aqui.
postado por Daniel Zhe
Uma das coisas mais frustrantes na profissão de desenvolvedor de sistemas, é alguém perguntar se determinado recurso é possível de ser feito. Ora, teoricamente, quase qualquer funcionalidade é possível na computação. A questão não é se isso pode ser feito dentro das leis do nosso universo ou não e sim a sua viabilidade.

Algumas funções exigiriam um sistema operacional novo e a reinvenção da Internet, outras são simplesmente um "if" no meio do código. Outras, por fim, gerariam algoritmos que demorariam, literalmente, décadas para terem sua execução concluída.

Mas a banalização do "possível" não ocorre somente nessa área. Em geral, as pessoas têm enorme dificuldade para compreenderem termos como "certeza", "possível", "infinito", "abstrato", etc.. 

Bom, se confundem "ciúmes" com "inveja", imaginem palavras com sentido mais profundo como as citadas, o que me faz pensar o seguinte: se elas têm tanta dificuldade de interpretar palavras comuns, como podem interpretar o mundo, a sociedade, as outras pessoas e a si mesmas?
postado por Daniel Zhe
Ter opiniões polêmicas e diferentes das suas. De certa forma me deixa orgulhoso saber que irrito determinados tipos de pessoas.
postado por Daniel Zhe
Não se deve subestimar a genialidade humana e nem sua burrice. Uma pesquisa do IBOPE revela que 75% dos brasileiros são analfabetos funcionais, ou seja, conseguem ler as palavras mas não interpretá-las em conjunto. E mais grave: não conseguem fazer contas simples de matemática. Normal isso tudo, basta acessar o Orkut pra comprovar.

Entre analfabetos, analfabetos funcionais e letrados, uma série de aberrações indica que não se deve ficar surpreso com a bestialidade humana. Desde crenças infudamentadas, até comunismo, funk, Luciana Gimenez e votos no PT, a burrice generalizada aglutina-se em volta da sociedade. Mas nada, nenhuma manifestação ou idéia, pode ser mais ignorante do que o racismo.

Racismo é simplesmente achar que o nível de melanina em sua pele determina sua qualidade como ser humano, ou seja, para um racista, os brilhantes Neil deGrasse Tyson ou Daniel Hale Williams são inferiores a bestas bípedes como Anders Behring Breivik ou Luana Piovani.

Qual a lógica disso? Qual o sentido? É um reflexo de defesa porque há mais presos negros do que brancos, uma vez que as camadas sociais mais pobres possuem mais negros do que brancos? Não entendo.
postado por Daniel Zhe
postado por Daniel Zhe
Fato
Mais que fato: é uma verdade da natureza.
postado por Daniel Zhe
Piada ruim
postado por Daniel Zhe
Estava procurando por materiais que pudessem relacionar cultura e conhecimento à crença religiosa, pois invariavelmente, todos grandes gênios que admiro (desde Isaac Newton até músicos como Daniel Gildenlöw), eram ateus ou possuíam filosofias relacionadas ao panteísmo, deísmo, etc., onde os contos de fada religiosos (Adão e Eva, mulher feita da costela do homem, mundo com 6.000 anos, homem zumbi (a.k.a. Jesus), arca de Noé e outras aberrações) são todos sumariamente descartados.

Eis que acho essa notícia:
http://www.estadao.com.br/noticias/vidae,estudo-relaciona-descrenca-religiosa-a-qi-alto,195483,0.htm

Vale a pena ler. As exceções também são comentadas.

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Newton, ironicamente, até onde se sabe, agia como cristão em público. Porém devido a grande pressão e influência da igreja na época, não revelava seguir de fato a filosofia do socinianismo.

Einstein é outro exemplo comumente citado, por ser judeu. Entretanto, ele não era praticante e até onde se sabe, era adepto do pandeísmo (um meio termo entre deísmo e panteísmo).

As filosofias deístas e panteístas são saudáveis e nem podem ser considerada religiões. São simplesmente ideias que algumas pessoas têm a respeito de um suposto Deus. O panteísmo diz: "A matemática e a lógica são a linguagem de Deus, e se Ele existe, O encontraremos através destas. Ou talvez não, se ele for muito complexo para nós, assim como há problemas matemáticos sem solução conhecida."

Vejo maldade na ignorância, ou seja, quando algo é ignorado. Porém essas filosofias não fecham os olhos para todas descobertas, evidências, fatos e avanços científicos.

Enfim, é interessante observar a relação entre cultura e religiosidade. Embora exista, raramente encontraremos algum grande mestre da ciência que siga piamente alguma religião organizada. Eu não conheço nenhum.
postado por Daniel Zhe
Comi dois sanduíches de queijo, alface, muita cebola e um pouco de maionese, ontem à noite. Já escovei os dentes duas vezes e continuo com o adorável sabor de cebola em minha boca.
postado por Daniel Zhe
O Tadiotto mandou mais um texto para publicação aqui, o qual eu endosso e apoio a idéia.

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Há um pouco mais de um mês atrás eu estava pensando sobre o sistema político aqui do Brasil. Todo mundo que tenha acesso a notícias sobre política sabe que os nossos prezados governantes se divertem com o nosso dinheiro. Mas talvez nem todo mundo perceba como o nosso sistema político falha miseravelmente no seu propósito. Segundo a Wikipédia: “Democracia é um regime de governo em que o poder de tomar importantes decisões políticas está com os cidadãos (povo), direta ou indiretamente, por meio de representantes eleitos”.

Alguém aqui sente que tem o poder de tomar importantes decisões políticas, ou sente que está sendo representado pelos governantes? Não. Eles estão lá representando os próprios interesses. É claro que há exceções, mas a proporção de pessoas desonestas no nosso governo é muito grande e a lógica é simples: se uma instituição oferece vagas para trabalhar com programação, você espera candidatos que sejam programadores; se uma instituição oferece diversos benefícios e possibilidade de se aproveitar do dinheiro alheio com pouca chance de punição, o que você espera? Pessoas que querem melhorar a vida do povo brasileiro? Ha-ha!

Enfim, o sistema não funciona como deveria e nós não podemos fazer nada para mudar isso, pois quem julga os políticos são eles mesmos. Então o que resta é deixar eles roubarem em paz e seguir com as nossas vidas. Ou fazer uma revolução. Por que não?

Foi logo depois de pensar sobre isso que descobri o Anonymous. Um movimento mundial por um mundo melhor, mas que cresce em cada país com rumos diferentes. O Plano com três fases e duração de um ano consiste em organizar as massas para atingir o objetivo. A primeira fase que começou na metade de junho consiste em aprender mais sobre os nossos problemas e sobre o movimento e também divulgá-lo para aumentar o número de seguidores. O que fazer depois eu não sei, mas eu sei que pra mudar precisa de muita gente.

Eu sou cético e tenho pouca esperança que o movimento mude o Brasil (e também sou péssimo em me expressar e convencer as pessoas das minhas idéias). Mesmo assim eu sei que esse é o único jeito e estou fazendo a minha parte. Pense nisso da próxima vez que reclamar do governo.

Se interessar, siga no Twitter @BrazilAnon e @PlanoAnonBR, ou no Facebook Plano-Anonymous-Brasil.
postado por Daniel Zhe
O assunto já é velho mas nunca havia comentado aqui. Parece uma obra de trolls ou uma notícia falsa do Sensacionalista, mas infelizmente, para a parte civilizada da humanidade, essa informação é verdadeira: criaram um "leiaute" de teclado brasileiro. Não, não se trata do ABNT2, com algumas teclas a mais. Trata-se de um desenho totalmente novo, com as teclas posicionadas de outra forma:  http://tecladobrasileiro.com.br/.

Scarsick O site todo é uma pérola não só pela idéia estapafúrdia como também pelo modo forçado como tentam evitar "estrangeirismos", traduzindo e aportuguesando palavras já conhecidas no Inglês (como "driver", que virou "draive" e "piloto") e pelos adoráveis tutoriais para Linux, sempre esbanjando a intuitividade da linha de comando. Sobre o teclado a idéia é simples: arranque as teclas do seu teclado e reposicione-as de forma a ficar com o "leiaute" otimizado proposto. Caso seu teclado seja um pouco mais moderninho e tenha aquele layout em curva como esse teclado wireless ergonômico aí da imagem, você pode colar etiquetas sobre cada letra!

Depois basta instalar um dos "dráivers" (piloto) para o teclado e ser feliz com seu novíssimo teclado XACA (xiita anti-capitalismo americano (LOL!)), twittar sobre isso e colocar fotos na lista de discussão dos seus amiguinhos comunistas, usando seu computador anti-sistema.

Viva la revolución!

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